
Lá vem o meu ônibus.Entro e procuro logo meu lugar.
"Licença"- pegunto a uma senhora.
"Toda" - responde olhando para minha mochila.
"Tá voltando da faculdade."
"Estou - poderia dizer que estava estudando, e que na verdade tinha ido à biblioteca(mas demoraria a viagem toda para isso).Uma resposta curta, porém esclarecedora da minha origem daria início ao curto diálogo (e não um monólogo sobre biblioteca, concursos, demora do ônibus) com uma senhora desconhecida a caminho de casa naquele sábado.
"Nossa como o tempo está seco meu rapaz".
"Pois é...por isso sempre carrego minha garrafa d'agua, antes não tinha este costume, mas Brasília está quase um deserto (pelo menos no clima).
"Boa idéia! a partir de amanhã vou levar uma garrafa para o hospital - sabe trabalho em um hospital como enfermeira".
Claro que não sabia - "Hum interessante! Tem que ter muita dedicação, e porque não fé para cuidar da saúde dos outros,pessoas doentes".
"Moro na QNB perto do batalhão da polícia."
"Já morei na CNB 04 por longos anos, no edifício Eliane.A senhora conhece?"
"Sei sim."
"Hoje moro perto da Praça do Bicalho"
"Ah vou à feira aos domingos lá na praça".."é muito bom"..
Pensei - Muito bom? onde? mas não falei.
"Sabe meu filho tenho carro, mas não gosto de dirigir; acabo deixando meu carro com minha sobrinha que anda para cima e para baixo nesta cidade."
"Hoje eu resolvi andar de ônibus. Deixei meu carro em casa porque a distância é curta e,também, para economizar e não me estressar com esse trânsito."
"É verdade! além do mais daqui a pouco não vamos conseguir andar de carro nesta cidade meu jovem, e agora sem as vans."
"Por isso o aumento da frota de ônibus" - querendo demonstrar conhecimento sobre a política local.
"Eu não sabia.Soube hoje, pois estava em Natal."
"Ah Natal.Cidade linda" - demonstro que conheço.
"Você conhece Natal?". Ora se disse que é linda porque conhecia - "sim".
"Nossa menino, quase passei fome nesta viagem.Eles não servem nada no avião."
"É.Pagamos caro para comermos uma barra de cereal com refrigerante" - exagerei na barra de cereal.
"Fui visitar minha família."
"A senhora é natural de Natal"-que pergunta!.
"Sou sim."
"Deixa eu ir lá pra trás, pois minha parada é a próxima e você sabe como são esses motoristas loucos"
"Verdade.Vá mesmo.Até mais.Vai com Deus"- falei isso como se fosse voltar a ver aquela simpática senhora com seus cabelos grisalhos, pequena, tinha olhar cansado, mas trazia um sorriso em seu rosto , lembrando minha vó."
Ela retribuiu dizendo: "até mais...e estude mesmo para alcançar seus sonhos e casar."
Sorri..."Obrigado"
Por isso gosto de andar por aí...numa dessas a gente acaba conhecendo um pouco de outras histórias que passam por nós.
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